sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Escreve só para mim...pediste....escrever só para e de ti é difícil...tenho medo de não te fazer justiça, como se coloca o tudo que representas apenas em palavras? És a música da minha vida escrita numa pauta colorida.... és tu que me faltas meu amor...és tu que levas cada sopro contigo e me fazes respirar mesmo quando respiro sem ti. Sou Aquela que treme na tua presença, que encosta a alma ao teu peito e ...espera...deixa-me fechar os olhos e ver-te no meu pensamento, respirar fundo de tanta vida que dás ao meu coração. É como caminhar sobre campos de tulipas, rosas que picam e fazem sangrar os meus pés mas ainda assim com dor corro sobre elas até chegar à minha mais bela flor...tu...és cada peça que falta na pessoa a quem chamo de eu. Encaixo-me no teu corpo com fervor na esperança que uma peça minha também se encaixe dentro de ti...encaixo-me no teu corpo com fervor porque cada bocadinho de ti que possua deixa –me sempre a querer mais e mais....Hoje és um bom homem... tão bom como há quase dois anos atrás e sorrio por dentro...os meus olhos sorriem sem a boca fazer um movimento. Vejo e reconheço a beleza que me fez admirar-te...venerar-te...achar que no mundo não existe homem melhor que tu...hoje digo-te ...não existe...És aquele que me faz chorar a sorrir...chorar tu sabes porquê e sorrir porque o amor vem me das entranhas ...e hoje tudo em ti é lindo e desperta o melhor de mim...amar-te tornou-me numa pessoa melhor. O ar era menos ar antes de te conhecer...a água era menos doce antes de te provar e os dias não são claros quando não estás neles.As lembranças que tenho de ti não foram levadas pelo vento, lembro-me dos risos, dos teus olhos, dos teus lábiso...dos teus abraços, do teu peito de homem que me faz sentir protegida e quente neste mundo tão frio...és parte de mim...serás sempre parte de mim...o sabor do teu beijo estará sempre na minha boca e nunca esquecerei o primeiro que aconteceu. Quando não te tenho a minha vida morre e o sol não brilha cá dentro....vives nas minhas mãos...quando olho para elas sei que existe a tua pele...pediste-me para escrever para ti...lê o que te conta o meu choro e te grita o meu coração....sempre que te lembrares de mim sorri...quando eu te deixar esconder-me-ei na tua sombra e ficarei no lugar dela para que caminhes com esperança pois sempre que olhares para o teu reflexo do sol estarei eu a cuidar sempre de ti...
Como poderei eu escrever em algumas palavras todo o meu mundo? Tu.....

Perdoa-me ...serás sempre parte de mim....porque dentro de mim já não sei onde começas tu e acabo eu pois só tu vives em mim....



domingo, 18 de setembro de 2011

Eu bem tento remeter-me ao silêncio, ignorar as palavras e todos os seus significados mas, onde quer que eu me esconda, elas acabam sempre por me puxar os dedos. Mesmo que não me apeteça falar de nada, elas sabem sempre tudo o que explode na minha cabeça e tudo o que rebenta no meu coração.
Tento puxar-te daqui de dentro, com a mão que me resta. A outra mão, essa, segura o coração para que não caia e se desfaça. O meu mundo estremeceu novamente. Com uma violência tão grande que me saltou o coração da boca, o cérebro da cabeça e a alma do corpo. Fizeste-me voltar ao fundo. Sozinha. Pequena como só tu sabes fazer-me sentir... Tenho um nó na garganta, um peso nos olhos e um corpo carente. Frágil. Hoje sinto-me frágil demais.Como se tudo na vida fosse um beco sem saída.
Mais. Hoje sinto que sou apenas mais uma. O vazio não tem cheiro. Não se vê. Não tem sabor. Mas, então como o sinto dentro de mim a alimentar-me a cabeça, a ser bombeado para cada veia, a correr-me nos olhos, a entranhar-se na pele, a dissolver-se debaixo da língua? Porque te sinto eu a encher-me de vazio?
O vazio não se pode medir, nem pesar, mas porque pesa o meu desta maneira e porque o sinto cada vez maior em mim? Tenho saudades do tempo em que tu me enchias o peito. Saudades de quando os teus braços me enchiam de protecção, os teus beijos me enchiam de vida, o teu olhar me enchia a alma, tenho saudade de quem não tinha nada teu mas as tuas palavras eram só minhas...hoje nem isso. Espero que um dia consigas entender o que sinto agora. O que é não conseguir desculpar-te mas ainda assim optar por não desistir e ter continuado ao teu lado, até que descubra que afinal não vale a pena lutar. Até que acredite de vez que tu não me amas e nunca me amaste... Não me vejo capaz de partir agora com o coração moído e reduzido a cacos, pedaços, retalhos ou meros grãos de areia. Sinto-me a partir a cada passo que dou. Não darei mais. Ficarei imóvel. Invisível.Quem sabe darei este corpo carente a quem o quiser fazer dele único...talvez sintas o que me dói, o que me dóis dando-te com uma mão o que tu me deste como dor, dando este corpo e os meus lábios com o ardor que só eu sei ter a outro cheiro, a outra boca a outro corpo...gemer igual noutro ouvido o que já gemi no teu e que nunca esqueço.Beijar outro corpo com ódio de ti, na revolta de te tirar de dentro de mim mesmo sabendo que não sais. Passar a lingua noutro peito ainda que fechando os olhos sinta o teu sabor...talvez te doa como me dói não seres único...ou talvez não doa nunca fui unica, nunca fui nada ou muiuto pouco ...talvez eu entregue este corpo carente com o coração rebentado, ser possuída, ter dentro de mim e sentir o suor doutro corpo enquanto penso “ amo-te tanto “ e as lágrimas de ódio e de amor por ti me invadem ...talvez eu me dispa e diga a alguém...”possui este corpo finalmente é teu hoje mas só hoje e nunca mais” ...talvez te doa como me dói...mas talvez não te doa a quem eu me possa dar como me doi a quem tu te dás...
Mas sei que vou partir com o coração reduzidos a cacos...como uma pedra da calçada habituada a ser calcada...mesmo esses cacos estão reduzidos a cacos...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pedaços...Não são cacos partidos no chão. São pedaços de mágoa. O meu coração cospe-os e eu calco-os, na tentativa de fazer com que doa menos tudo aquilo que sinto. Mas ao calca-los corto os pés, também eles cansados de correrem por ti e atrás de ti. Deixo que a música me embale e traduza o que sinto. Não choro pelos cacos que me entram nos pés… Choro sim por saber que um dia destes vou-te arrancar de mim, vou-me arrancar de ti e serei apenas uma lembrança...quando eu me arrancar de ti serei mágoa, raiva, revolta… Não serei dor. Dor já começaste tu a sê-lo. E como me dóis ultimamente! Engraçado ..acreditei tanto em ti um dia… E agora, nunca a descrença fez tão parte integrante de mim. Não me reconheço. Não sei como me tornei neste ser apático que insiste em assistir a este filme de final tão previsível. As minhas palavras sempre foram mudas para ti. Mesmo quando gritava, gesticulava e me contorcia. Mas, para mim, as palavras sempre foram a melhor forma de dizer aquilo que a minha alma carregava e tu ignoravas. As palavras sempre foram o meu refúgio, porto de abrigo... Era o que sentia ao dar-me a elas, quando na verdade o deveria sentir contigo, ao dar-me a ti. Mas não... Para ti nasci muda, cresci muda e neste preciso momento permaneço muda porque nunca existi realmente para ti..
Continuarei muda. Tornar-me-ei cega. Fingir-me-ei de surda. Até que percebas que um dia eu te falei. Que um dia te contei os meus medos, os meus sonhos, as minhas alegrias, as minhas tristezas, as minhas vivências, o que via quando olhava para ti. Até que entendas o tanto que te disse e tu rejeitaste, ignoraste, não compreendeste e julgaste.Até que percebas um dia quando quiseres ouvir o meu som, e ele não existir, até que percebas que não existo mais ...até que percebas que houve um dia eu que te falei de mim...e tu não me ouviste...

Como gostava eu de reescrever o nosso fim…

domingo, 28 de agosto de 2011

Hoje fui passear, correr com os meus cães. Não tinha muitas forças mas existem emoções que nos fazem cerrar os dentes, e quando caímos fazem-nos limpar a poeira dos joelhos, levantar e andar. Com eles corro, rio, brinco, deito-me na relva do jardim enquanto rio com as suas travessuras. Tenho –lhes um amor incondicional que sei que é retribuído através do olhar meigo que me lançam, sabem que cuidarei deles enquanto as minhas mãos o deixarem e enquanto os meus braços existirem para os abraçar.
Quando me sentei com eles a olhar o mar no pontão dos pescadores do Passeio Alegre lembrei-me duma conversa que o meu pai teve comigo naquele mesmo local, há 20 anos atrás quando decidiu divorciar-se da minha mãe. Recordei-me de cada palavra, era Outono, adoro o sol do Outono do fim da tarde. Corre uma brisa fria mas o sol é quente e se fecharmos os olhos aquece-nos a pele, o coração...a alma. Eu adorava quando era miuda as folhas do Outono, pelas cores, guardava-as dentro de livros porque tinha medo de não ver as mesmas cores no Outono seguinte. Nesse fim da tarde , o meu pai tinha uma dessas folhas de Outono que eu tinha apanhado olhou para ela e disse-me:
“ Nina o pai vai estar sempre contigo. Sabias que os teus olhos são como as folhas de Outono, ora são castanhos, ora são verdes, é só olhar para eles com a luz certa, assim como eu viro esta folha vês? Nunca te esqueças do que vou dizer agora, sê sempre gentil com as pessoas, as pessoas são pessoas como tu, têm sentimentos, riem , choram, necessitam de gentileza, sê educada com as pessoas, seja um moribundo, seja o Primeiro Ministro. Vais crescer, vais conhecer o amor, trata bem o teu homem, cuida bem dele, sê mulher, amiga, companheira, ele tratar-te-á como uma princesa, porque é o que és e não permitas menos do que isso. Sê corajosa, quando prometeres alguma coisa, ou deres a tua palavra cumpre. A palavra é o que te define como mulher.Quando te comprometeres a fazer uma coisa fá-la até ao fim tenha as consequência que tiver, porque quando olhares para trás verás que é o passado e o que fizeste que te define hoje.”...

Pai onde é que falhei....? também eu estarei sempre contigo...sempre....





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

sábado, 30 de julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ultimos desejos...

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que sinto.Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca,porque metade de mim é o grito,mas a outra metade é o silêncio.Que a música que ouço ao longe seja linda e que as pessoas que amo sejam sempre amadas,mesmo que distantes,porque agora metade de mim é partir e a outra metade é saudade.Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor,apenas respeitadas, como a única coisa que resta numa pessoa inundada de sentimentos,porque metade de mim é o que ouço e a outra é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,que essa tensão que me corrói por dentro seja recompensada,porque metade de mim é o que penso e a outra metade é vulcão.Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesma se torne ao menos suportável, que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro de ter dado à minha face,porque metade de mim é lembrança do que fui e a outra metade...eu não sei.Que seja preciso mais que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito,e que o teu silêncio me fale cada vez mais,porque metade de mim é o teu abrigo, mas a outra metade é cansaço.Que a arte aponte uma resposta mesmo que eu não saiba, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer,porque metade de mim é plateia e a outra metade é canção.Que todas as minhas desilusões percam a importãncia diante dos gestos de amor que encontrei, pois metade de mim é perdão e a outra metade compreensão.Que agora no fim do meu caminho e destino todos os meus pecados sejam perdoados ...porque metade de mim é amor...e a outra metade...também...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Hoje, não mais que hoje - assim o digo e espero - deixo-me embalar por uma tal melancolia já provada anteriormente, em tempos que a dor na alma não dormia. Entrego-me, como que sem forças, e deixo-me levar na viagem pelo sabor de uma dor que conheço, não percebo e não controlo. Uma dor que me assola em dias que a fragilidade me toma por sua.
Hoje depois de ter chegado a casa já tarde mas não mais que hoje - assim o peço - deixo-me estar às escuras, sem luz do candeeiro e sem luz de janela. Perco-me na música e sinto cada nota a entrar em mim em jeito de condimento necessário para este estado sem hora marcada.
Hoje, nunca tanto como hoje, dóis-me e eu sei porquê.. Estou deitada ... Mas falta-me a tua respiração no meu pescoço. Falta-me o peso do teu braço sobre mim.Falta-me o bater do teu peito nas minhas costas. Faltas-me tu.Hoje faltaste-me tu...por isso dóis-me e eu sei porquê...
Há páginas que pensámos viradas ─ umas por nós, outras tantas por alguém ─ que afinal continuavam a ser escritas, lidas e relidas. Páginas com histórias boas, páginas com histórias más. Páginas de cumplicidade, amizade, alegria, carinho, paixão, amor. Páginas de solidão, angústia, sofrimento, ciúme, traição, desprezo e muita dor.Muita dor...
Tento guardar e levar comigo, bem junto do meu corpo as páginas boas!Alguém que as coloque bem juntinho de mim para a minha alma não esquecer as minhas memórias. As páginas más estou a tentar rasgá-las uma a uma, mas em cada página que viro para rasgar cada letra do que passou na minha vida doi como um prego no meu peito. O que é mau faz-nos mal, torna-nos amargos, não nos deixa evoluir, não nos permite seguir em frente.
Que se virem as páginas e que o branco de uma nova página signifique muita paz! Porque não tarda a minha vida será uma página em branco...não haverá mais nada a escrever...mais nada a dizer...mais nada a amar ou sentir., ou doer ..apenas a paz ...da minha alma...





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Hoje saí do trabalho com uma ãnsia no peito latejante, mistura de ódio, raiva, amor, vida, morte...sentimentos daqueles que nos fazem latejar os maxilares.
Passei por casa a voar, peguei no saco e rumei à escola. Enquanto ainda sentada aquecia os tornozelos e as pernas esticando-as na vertical...fechei os olhos e desprendi-me do mundo. Soltei-me da realidade como quem tenta respirar…aquele varão foi o meu melhor amigo hoje....cada volta...cada vez que me envolvi nele foi uma queda silenciosa que ecoou no meu pensamento. Queda de mim sobre eu própria, um mergulho na consciência, na inconsciência do ser e sentir…em cada vez que me suspendi nele ou me revirei como se me virasse do avesso foi como os meus pensamentos que se misturam, se abalroassem, se confundissem. Tudo se turva e nada parece claro. Tento pensar em quem sou, no que quero, na minha linha que termina ...mas nada… Só uma mescla de sensações e intenções transparece. Num instante de desespero sereno, com lágrimas que se misturam com pensamentos, percebo a suspensão de mim própria enquanto suspensa naquele varão. Percebo o silêncio, a interrupção, o averso ao fluxo da vida… Percebo o seu significado, as implicações da minha impaciência, da pressa com que as atravesso… E finalmente paro…fecho os olhos e sinto a música abrindo os braços enquanto deambulo as ancas ao seu som...com raiva pela vida que não terei e que não tarda acaba e agarrei aquele pedaço de aluminio como se fosse o meu maior inimigo e terminei com duas voltas lentas como duas esferas de água suspensa, vítrea, profunda. Sacrifico ali o calor que me resta… Deposito todo o coração que possuo num segredar surdo e indecifrável com aquela barra de aluminio… E grito ali através do meu corpo, cada momento da minha vida, cada lágrima que derramo, cada sorriso que esboço, cada momento que me fez mulher, cada momento que me fez humana...Escorrego por ele de costas devagar solta da realidade como quem tenta respirar.... dei por mim ajoelhada no solo, a pensar que o amor não é um sentimento mas uma capacidade...uma capacidade “ de matar para salvar” como a música que me embalou no meu melhor amigo platinado...eu matei, e grito SIM SALVEI!!!! Matei-me a mim própria...








segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ironia da vida…escrevo o que me vai na alma, no teu teclado enquanto aguardo que o disco desfragmente. A vida deveria ser como um disco rigido…deviamos poder desfragmentá-la…juntar os dias de forma a que fiquem organizados…com sentido…Há alturas em que me sinto pequena, como que enrolada e escondida a um canto. Com medo. Assustada. Angustiada. À espera de dias melhores. Na dúvida. Na incerteza.Há alturas em que nada faz sentido. Em que me sinto perdida. Revoltada. Amargurada. Magoada. Ignorada. Incompreendida. À espera de dias melhores. Na angústia. Na tristeza.Há alturas em que não me sinto.Hoje já não sonho como dantes.Tenho uma bolha de ar a encher-me o corpo e a levar-me todos os dias para algum lugar, sem que eu me importe, sem que eu recuse.Tenho a cabeça em água. Água de rio, que corre e me leva os pensamentos sem que eu os possa ou queira apanhar. Ja não sei lutar contra a sua corrente.Tenho o peito, outrora cheio, inchado. É pesado o que lá guardo, nada consigo fazer para o apertar até sair de lá de dentro tudo o que me faz mal.Tenho um nó na garganta, um peso nos olhos e um corpo carente. Agora que o dia que se segue é o dia do tudo ou nada, aquele em que fico entre a parede e a espada, não sei bem o que dizer. É muito o que guardo cá dentro. É tanto que a ideia de dizer o que me vai cá dentro dá-me um aperto tão grande no peito... DIzer-te que és a pessoa mais importante para mim, pareceria cliché, mas é de todo a verdade que nunca te disse... Não sei porque não o disse, talvez porque o deverias saber. E agora ao pensar que amanhã poderei não dizê-lo sinto-me sem chão. Sinto um buraco no lugar do coração. Agradecer-te por tudo o que fizeste por mim é pouco, quando eu sei que já te acusei de não teres feito nada. Mas a verdade é que fizeste muito. Devo-te unicamente a ti o orgulho de ser quem sou hoje...a mulher que me tornei…mesmo conhecendo a máxima maldade do mundo, dos outros, por vezes a tua, não mudei…evoluí…como mulher, como pessoa, sofrida mas não amarga. Perdi-me, não me lembro bem quando nem porquê. Pelo caminho perderam-se lembranças e sentimentos. Enterraram-se dores, secaram-se lágrimas, curaram-se feridas, escreveram-se palavras, partiram-se e desfizeram-se momentos.Perdi-me, não sei se por tua causa ou por minha. Pelo meio perderam-se músicas, rasgaram-se poemas, rebentaram-se laços, negaram-se beijos, rejeitaram-se abraços.Perdi-me e não me encontro. Passei a vida a correr sem ver ao certo quem corria à minha volta ou quem simplesmente corria ao meu lado. Agora que paro e fecho os olhos, deixando de lado os pés cansados que me guiavam nas voltas, admito que correr de olhos fechados nem sempre nos faz chegar a alguma meta.Agora que paro a meio, sem saber como cá cheguei e, sem saber o caminho certo para correr, continuo sem saber quem corre comigo, quem corre para mim e quem corre por mim.Continuo sem olhar, sem ver. Porque afinal juntamente com os pés também se me cansaram os olhos, também se me cansou tudo o que a cabeça segura e tudo que o peito guarda. Cansou-se-me a alma, a calma e o raio que parta a vida. Corria porque só correm os perdidos mas agora sento-me…porque só se sentam quem querem ser achados…mas talvez tu passes sem notar que ali estou sentada à espera de ser achada por ti…Hoje sou uma sonhadora.Descrente.Aluada.Ausente.Por vezes fraca. Forte o suficiente.A cair, a tropeçar, a caminhar.A sequir em frente.A não seguir por lado nenhum.Por mim.Por ti. Sem mim. Sem ti.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Esta noite apenas queria...ser amada...ser mulher...amada...poderia sê-lo ...a concretização deste desejo estaria a distância duma chamada...se este desejo fosse descartável...usado num tipo qualquer. Esta noite queria apenas ser amada...apenas e só porque sim...de sorriso parvo na cara...sentir um corpo cansado e ofegante ao pé de mim...de mão entrelaçada na minha. Esta noite queria apenas ser amada....por alguém...tirar cada pedacinho desta dor da perda, desta dor de amor...fechar os olhos e dar-me a alguém com ódio por não ser ele , por odiar amar quem não me pode amar...tirar um pouco desta dor...desta falta... Esta noite queria ser amada...apenas porque sim... porque um beijo só nunca chega, porque fazer amor apenas uma vez nunca é suficiente, porque ficar com o seu cheiro na minha pele faz-me viajar para junto de dele...porque cada pedaço dele nunca é demais. Se soubesse o que faz ao meu corpo, ao meu sexo, á minha mente … se soubesse o quanto desejo prová-lo um bocadinho todas a noites, tocá-lo, deixá-lo louco de desejo… Esta noite apenas queria ser amada...por alguém...não olhar nos olhos dessa pessoa , apenas dar-me ...apenas e só porque sim....ouvir um respirar lento que não lamento.Fechar os olhos e sentir noutro corpo a tua alma,não saber o que sou mas sentir que em ti estou...colar a minha boca e fundir a minha lingua como se da tua se tratasse.... fechar os olhos por querer apenas sentir...estar inteira num corpo qualquer e estar nele como se sentisse o teu em mim, já que não o posso ter. Esta noite apenas queria...ser amada...ser mulher...amada...não por ninguém mas por ti...meu amor...apenas por ti...As tuas mãos conhecem bem o corpo que agarram, não há segredos entre nós. Na verdade és tu que me possuis, eu não te tenho, és tu que me tens porque em ti me dou.Há algo em mim que me ordena que seja tua, quisera eu dizer-te ao ouvido, aproveita-me hoje, pois amanhã não sei quem serei nem onde estarei.

terça-feira, 8 de março de 2011

Porque hoje é dia 08...eu queria..

Quero despir-te.
A roupa impede-me de ver a tua pele.
Deita-te. Assim. Nu.
Deixa-me olhar-te. Decorar-te.
Quero guardar-te nos olhos, para te lembrar quando não estiveres presente.
Gosto de brincar com o teu corpo.
Subir em ti,sentir os mamilos percorrer-te assim, em carícias lentas.
Gosto da tua pele molhada.
De te cobrir de saliva e suor.
Espera.
Deixa que me demore no teu sexo.
Que o olhe. Que o desperte.Enquanto me olhas.
Enquanto murmuras qualquer coisa que não oiço...
Deixa-me suspirar. Derramar. Deleitar-me com o teu corpo.
Descobrir a que sabe o teu peito.
Gosto das tuas mãos.
De lamber e morder um a um os teus dedos.
Enquanto te amo. Enquanto me amas.
E dizer-te baixinho.
Explode-te comigo meu amor.
Brincar contigo...hoje...Posso?eu sei que nao...
Neste texto, a música Slept so long dos Korn era perfeita...não só no texto ...como fundo...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Estes dias de aguaceiros que regressaram, depois de eu ansiar o calor e o sol, deixam-me enervada. Cinzenta e irritada. Confesso que nunca convivi muito bem com a chuva, com os dias escuros, com os chuviscos. Já em criança, encostava-me à janela a ver chover, tentando agarrar os pingos de água, fazendo desenhos nos vidros, acompanhada de uma certa melancolia. Num desses dias, em que também, tal como hoje, estava irritada, reparei que tinha os cordões desatados e isso irritou-me porque não sabia fazer o nó nem o laço. Habituara-me a que a minha mãe o fizesse por mim, por isso sabia de cor as voltas que aquilo dava. E logo nessa altura, ela tinha saído para ir à mercearia comprar qualquer coisa. Lembro-me de me sentar no chão e de tão irritada estar, quase como um autómato dei aquelas voltas milagrosas que resultaram no tão ansiado laço. Sorri perante o laço meio atrapalhado, mas como se se tratasse de uma grande vitória. Se não chovesse e eu não estivesse irritada, não o teria feito.Hoje lembrei-me desse dia. Apesar deste tempo instável me envolver numa certa melancolia, me deixar sem inspiração para escrever, sem vontade de me mexer, e com uma enorme sonolência, tento dar a volta por cima, tal como o fiz com os atacadores.No entanto agrada-me o cheiro a terra molhada que me envolve logo pela manhã quando abro a janela e meto o nariz de fora para decidir o que vou vestir. Cheira a campo, cheira a relava verde mas irrito-me logo a seguir porque na noite anterior não me apeteceu apanhar a roupa e a encontro toda molhada. Depois é a chuva miúdinha que me ouriça o cabelo, é o chapéu de chuva que me atrapalha, é a humidade do ar que detesto...mas depois solto uma gargalhada porque as minhas maiores vitorias surgem em momentos de irritação...tal como a vitoria dos cordoes.Só fico desmoralizada e agarrada à cama, e irrito-me com o raio do despertador que não pára de tocar...mas acordei com a musica Cheap Honesty na tola da Skunk Ansie e depois da irritação lá me levantei a cantar e a pular...mais uma vitoria adiada ...como a dos cordões.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Lembro-me do meu primeiro beijo. Lembro-me da inocência desses dias, na escola onde aprendi a ler, do ambiente terno e calmo onde passei os quatro primeiros anos da minha aprendizagem escolar.Chamava-se Aquiles, era um menino louro, e passávamos muitas horas a conversar, brincávamos ao amanhã e aos adultos, quando tudo era colorido. No recreio, dávamos as mãos, e diziamos que éramos namorados, que um dia ainda iriamos casar. Que tontice embrulhada na magia de ser criança.O primeiro beijo foi envolvido em muita vergonha, num daqueles jogos do “bate-pé” a que jogávamos 4ª classe, presenciado pelos outros meninos, selando o que julgávamos inocentemente ser um compromisso para sempre. Só não sabíamos que nada dura para sempre.Frequentava uma escola privada, a classe era composta por dez alunos, e leccionados por uma professora maravilhosa, que se chamava Carmina, mas a quem carinhosamente chamávamos Cami. Nessa altura não havia muitos professores assim, ela era para nós uma segunda mãe, tratava-nos com ternura e compreensão. Nunca soube a dor de uma réguada ou de um castigo.A escola tinha um ginásio grande, e um palco enorme e lá costumávamos brincar aos castelos encantados. Por baixo do palco, tudo era escuro e fingiamos ser fantasmas, desciamos as escadas sempre com um medo inconfessável de que surgisse algum monstro ou papão. Mas mesmo assim iamos. Sentia-me protegida pela mão do Aquiles que combateria todos os fantasmas do escuro por mim. Mais uma tontice embrulhada na magia de ser criança.O Aquiles certo dia, não me lembro em que contexto da aula, dedicou-me uma canção e com o seu geitinho infantil, corado até às orelhas, fez-me sentir uma princesa. Eu, baixei a cabeça, envergonhada e surpreendida.Separámo-nos na quarta classe, entre beijos, abraços e lágrimas.Mas nunca o esqueci. Nem a ele, nem à inocência desse primeiro beijo. Nem aos anos felizes que vivi na minha infância, naquela escola, quando o amanhã estava tão longe que nem pensava nele.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Este blog vai estar parado...não irei escrever mais uma palavra que seja...será o túmulo onde hoje me apetece soltar frases presas,tão presas que custam a escrever. Há coisas que se tornam impossíveis de continuar...assim com uma vida...
É impossível assentar uma vida numa cadeira que tem apenas uma ou duas pernas.
Pensei que conseguia chegar ao mais fundo de ti e o máximo que consegui foi querer esconder-me bem cá no fundo de mim. Eu sei que o "nós" nunca acontecerá. Não porque eu não goste de ti, porque sabes que gosto. Não porque tu não gostes de mim, porque talvez gostes. Mas talvez pelo teu medo de seres de alguém... Pelo teu desejo de seres de toda a gente... E sendo assim tu não és de ninguém. Custa ver o medo estampado, como dois quadros abstractos no lugar dos teus olhos, quando na verdade eu queria que olhasses para mim de maneira diferente... Apenas como alguém que gosta de ti...
Houve tempos ...Tempos em que sorria sem motivo especial, porque afinal o motivo eras tu... Onde te via aparecer do nada, onde te te via desaparecer com tudo.Sim, houve tempos...
Agora as nossas mãos mal se encontram. Eu mal te vejo. Tu mal me olhas. O ar hoje é mais pesado,não quero respirar.Dá-me antes o teu ar e enche de ti os meus pulmões. Hoje não me apetece dizer que me vi chorar...Não direi... Vou deixar-me sofrer o bastante até que me peça a força dos meus próprios braços para chegar até mim...porque não posso contar senão com o abraço dos meus próprios braços. São altas horas da noite,todos dormem excepto eu que penso em ti no que carrego dentro de mim que é teu.O dia nasce, tudo acorda,menos eu que não dormi. A minha dor não será para sempre, tem dia marcado. Também ela me abandonará juntamente com as tuas lembranças, deixando-me em paz comigo própria, vazia de ti...sem ter nada de ti dentro de mim.E com esse vazio partirei também..eu sei...eu sinto... Limpo os destroços de uma vida, vida essa que um dia te acompanhou sem olhar para trás, sem medos, sem insegurança, com protecção e cuidados, como quem cuida duma planta bonita que não quer deixar morrer. Mas nada é para sempre...o teu beijo não foi para sempre...o teu abraço não foi para sempre...hoje esta mulher sabe que também ela não será para sempre...despedirei-me de ti fechando o olhar devagar...muito lentamente e com um sorriso lento não rasgado apenas lento e terno prometendo-te que nos encontraremos noutra vida...não perguntarei mais porque foges se não me levas contigo...fugirei eu com uma parte de ti...e não mais nos veremos...nunca mais...porque sei...porque o sinto...mais uma vez já não posso dizer vai –te embora daqui de dentro de mim...apenas direi que nós os dois iremos embora de dentro de ti...de fora de ti...porque o sei e sinto... Nunca me ouviste...Ouve e lembra-te de tudo que te tenho dito, de tudo a que te poupei, avisei e protegi...Ouve-me agora que é tarde...que a minha vida não tarda acaba...eu sei...eu sinto...sem direito a genérico ou banda sonora adequada...apenas me vou...nos vamos...