quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Escrevo sobre imensa coisa , já escrevi algures por aqui algo sobre “M e os seus homens” de onde retiro uma frase ...” M e os seus homens...o facto é que vivo rodeada deles e não desgosto. Um dos homens da minha vida é o meu pai, dedico-lhe com o maior prazer e alegria grande parte do meu tempo...segue-se o cunhado, o tio, o sobrinho...os amigos (na sua maioria homens)...” mencionei algures também o “passado” e as abstenções...neste momento apenas um vestígio duma abstração, na altura já o era.Volto ao tema porquê? Porque hoje disseram-me “ Posso ser tendencioso?tens amigos homens a mais... devias ter mais amigas mulheres, mas tu detectas bem quem é teu amigo e quem te quer ...ora tu sabes..e mantens a postura ” sorri de forma automática... Se fosse outra pessoa a dizê-lo provavelmente aborrecer-me-ia...mas era um amigo de anos que sei que quer sempre o meu bem! Fiz questão de dizer que encarava-os como mulheres. Desculpem a comparação amigos machos, mas é o que sinto de facto. Amigas, sim tenho...contam-se pelos dedos...2, não gosto das mulheres, embora adore estas 2, talvez porque não são como a maioria. Homens...deixem-me cá contar...alguns...com o valor incontornável da particularidade, cada um com a sua personalidade. Tenho que acrescentar mais um, também amigo, não só e muito menos apenas, numa vertente mais amorosa é claro, com um valor ainda mais incontornável, sinto por isso alguma dificuldade em explicar como é que ele sendo uma só pessoa pode produzir tantos sentimentos diferentes. É facilmente detectável no meio, por exemplo de 15 homens quem são os que gosto realmente, pela forma como os recebo, pela forma como os encontro, pela cumplicidade com que lhes falo. Compenso sempre quem me retribui. Reduzindo ainda mais o círculo facilmente seria detectável no meio desses amigos, “ele” ...mais do que um amigo...a forma de o receber é ainda mais diferente, também me é difícil explicar como, embora tenha plena consciência do sentido do que penso.Com os meus amigos cada contacto, cada encontro ocasional ou não revela-se sempre num acontecimento, com o “ mais do que amigo” tudo ganha uma dimensão estonteante que me encoraja a dizer e a fazer coisas inconfessáveis...isso não faço com os amigos. Sinto-me totalmente adaptada ao mundo masculino e salvo as excepções que mencionei, o mundo feminino parece-me deformado, totalmente fora da realidade mundana onde são raras as mulheres reais. Os amigos protegem-me paternalmente, recebem com muito gosto quem me trata bem, divertimo-nos como putos juntos. Contam-me tudo sobre o universo feminino que os ronda pois sabem que sou crítica para o bem e para o mal das mulheres, se eu justificar uma atitude feminina é porque realmente foram parvos dizem eles. Neste aspecto é como tudo o resto na vida, depende do ponto de vista e todos são diferentes do meu, tento apenas mantê-lo como sempre foi, límpido e claro sem a pretensão de ser guia de coisa alguma. Para o “mais do que amigo” sou apenas mulher com todo o conceito que isso engloba, tentando mostrar uma clara perspectiva da realidade do que ele vê. Isso não sou para os amigos...com ele sou algo mais...mas ele nunca viu...nunca vê...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sepultei os teu solhos dentro dos meus,
Quando me olho vejo-te
Sepultei a tua voz na minha mente,
Ela atordoa-me , encanta-me...
Sepultei o teu toque na minha pele,
Sinto o arrepio , o teu perfume...
Sepultei o teu beijo nos meus lábios
Toco-lhes e sinto a suavidade dos teus...
Sepultei o teu abraço no meu corpo,
Fortaleceu-me como uma armadura
Sepultei todas as tuas palavras ,
São como uma melodia encantada,
Que vai tocando , tocando...
Sepultei o teu sorriso límpido,
Escraviza-me ,faz-me rogar por ele
Tal qual oração a um anjo
Sepultei a tua beleza na minha memória
Ela assalta-me , derruba-me...
Sepultei a tua dor no meu peito,
Craveja-me como pregos penosos...
Sepultei a tua pele branca e ainda quente ,
Sepultei-a no meu mundo frio...
Sepultei todo o teu fogo e desejo,
Na camãra ardente do meu pensamento...
Sepultei a distãncia , o céu que nos cobre
Transformamo-nos num só
Pois amor sepultei-te no meu peito...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Continuo a considerar estranha a natureza do homem e por sua vez a minha natureza. Os seres humanos são tão cheios de dualismos, ou então se não o são conseguem pensar de formas diferentes para depois se tornarem novamente os dualistas do sim e não. Hoje um facto menor fez me reflectir sobre o que guardo das pessoas. Talvez aos olhos de outra pessoa aquilo não assumiria qualquer importãncia.O meu cérebro associa perfumes a pessoas...senti o cheiro do mar à noite na Foz do Douro e por uns instantes revivi momentos...sorri espontaneamente mas reconheço que uma lágrima caiu. Ali naquele local fui feliz durante todo um percurso de vida. É o local mais especial da minha existência e sempre que vou lá sinto-me diferente. Sempre que quero tomar alguma decisão é lá que me encontro. Viver e esquecer...alguém me disse um dia, o que foi realmente importante nunca esqueço, vivo apenas atordoada pelos novos dias que me surgem e guardo no meu íntimo algo que vai sendo enterrado cada vez mais fundo com o passar do tempo. É verdade que com o correr dos dias existem pormenores que me esforço por reter na memória mas o mais importante floresce do nada. Fiquei alguns momentos assim, a sentir o odor no ar de olhos fechados e naquele momento não havia qualquer razão válida para me fazer voltar à "superfície". Vi-me aos cinco anos a correr por aquele jardim de encontro ao meu pai, vi-me adolescente e a viver todas as novas experiências e vi-me hoje tão sedenta de tudo e sedenta de nada. Sedenta de tudo o que vivi e sedenta de nada por saber que não viverei mais nenhum daqueles momentos e apeteceu-me ficar ali indefinidamente. Quase que me poderia ter transformado em pedra de tão vazia que me senti de ideias, emoções ou vontade. De repente o meu mundo deixou de ser o mesmo, tudo mudou ...eu mudei...mas como pode tudo mudar num abrir e fechar de olhos? Aquele lugar até pode ser apenas um lugar sossegado e inofensivo mas o cheiro que a brisa trazia no ar em cada inalação fez-me sentir terrivelmente triste. O mundo em que habito nada foi mais do que a reflexão da imagem do meu interior. Senti-me perdida pela primeira vez e senti necessidade de me livrar de tudo...nascer de novo tão nua como no dia em que saí dum ventre reduzida apenas a um futuro. Senti-me perdida é verdade...mas nada como me perder e encontrar-me para depois olhar para mim e ver uma nova mulher todos os dias.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Saí com a sensação de que tudo está tão fodido à minha volta...sem dúvida o pior ano da minha vida...tinha de sair de casa, respirar, ver gente....mas a rua tinha gente a mais.Dentro de mim raiva de mim mesma...raiva eu nem sabia bem do quê. Sentei-me e tomei café enquanto pensava que o homem que me ama é um fantasma, existe mas não o vejo...o homem que amo é impossível...mas até chegar ali onde estava, cada homem que buzinava, cada homem que me olhava na rua despertava-me mais raiva ainda. Ainda no café pensava na fase que atravesso...todos os dias tenho que ter uma força e uma fé diferente numa altura em que perdi a fé em tudo e toda a gente espera que seja a miss perfeita do costume. Foda-se estou farta de o ser! A minha garganta estava tão justa que nem consegui engolir o café....olhei em frente e vi entrar o homem mais bonito que alguma vez tinha visto. Baixei o olhar afinal era apenas um gajo...até que oiço uma voz por trás de mim “ o que é que uma mulher com esse perfume, com esse cabelo lindo faz a esta hora aqui sozinha e tão triste?”...olhei por cima do ombro e não pestanejei ...se o fizesse caíria ali uma lágrima em frente a um estranho. Ele olhou para mim e disse “chamo-me Vasco, os seus olhos estão tão tristes, consigo sentir toda a sua tristeza, falar ajuda” ...tornei a olhar em frente, limpei com a mão a lágrima que caíu e deixei em cima da mesa o dinheiro do café. Ao sair olhei para trás, ele tinha ficado a olhar para mim ...era realmente lindo de morrer, talvez devesse voltar para trás, envolver-me sem sentir. nada..libertar toda a raiva da vida que sentia naquele momento com um homem que iria querer livrar-me no minuto a seguir ...seria tão fácil....pensei “não tens sequer comparação com o homem que amo” ... não tinha o olhar terno, os lábios doces...o abraço onde me sentia pequenina e protegida...não tinha o som do sorriso que adoro, como eu gosto de ouvir e sentir que aquele homem ri e sorri...não tinha nada do homem que eu amo...nem eu o tinha...nunca teria...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Enquanto te olhava....

Hoje olhei para ti uma vez de frente...bem de frente...não reparaste mas eu olhei para ti muitas vezes durante aqueles minutos.” Respondi”o melhor que pude, o melhor que o meu coração deixou, queria falar contigo, ou até mais do que isso, abraçar-te, para mim era mais do que suficiente...não te olhei mais porque não queria cometer nenhuma extravagancia emocional comigo própria. Até o teu cheiro eu conseguia sentir a metros de distãncia. Depois de te ter conhecido e teres entrado em mim de forma tão profunda é-me difícil estar perto de pessoas normais, habituei-me à tua estranheza...à tua falta de banalidade. O que é que eu vi enquanto te olhava? Para além de várias coisas ...senti uma paz enorme. Não sei se algum dia alguém gostou de ti dessa forma ou se eventualmente nunca to disseram...eu senti paz por te ver ...sorri até...porque gosto de ti assim...de forma pura...totalmente desprovida de tudo...por seres tu...como és...sem querer assustar...sem fazer por assustar..., como uma planta ou uma flor que queremos cuidar com muito carinho para não murchar e perder toda a beleza que conseguimos ver.
Sempre fui uma mulher forte, tu...sempre foste mais forte do que eu...admirava-te por isso...quanto mais forte eras mais fraca me tornavas...tiveste um dom que nunca ninguém teve e dava-me um enorme prazer dar-te o melhor de mim. Quando me chamavas à razão dalguma coisa a minha vontade era encher-te de beijos, fazer-te uma vénia que normalmente faço a quem respeito, não porque me estavas a chamar à atenção mas porque até isso em ti é lindo. Para gostar dum homem sempre to disse, tinha de admirá-lo como pessoa...admiro-te...
E se algum dia tiver que te deixar por achar que é o melhor para ti assim o farei...porque dá-me prazer sentir ou ver-te ...bem...feliz...em paz...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Heroes & Saints - Nicolaj Grandjean - Traduzido



Lembrei-me duma frase..."as palavras não têm significado perante os gestos, é incrível como sempre vivi apenas das palavras".Sempre achei que as palavras vivem no mundo do vazio emocional e que os gestos fazem parte de nós, do que realmente sentimos. A descrição de algo através das palavras pode ter um carácter frio enquanto que as acções vivem em nós e são transportadas para o exterior de forma suave com um trago de intensidade. Como eu prefiro um toque, um sorriso, um abraço a um "amo-te"! As palavras detêm-nos de forma fria...os gestos despertam-nos a impetuosidade, a intensidade. Tudo o que fica gravado na minha memória a fogo são as atitudes, os gestos...o toque...o olhar...as palavras seguramente vos digo que as esqueço facilmente. Mesmo que as tivesse escrito em algum lado fiz por perder os apontamentos algures...através dos gestos vivi o que um mortal demoraria anos e anos a viver. Do mesmo modo que algumas coisas que registei por escrito são imperecíveis e não são mais do que puros resultados ou reflexos de gestos. Quantas vezes já fizemos o queseria inconfessável numa palavra só? Quantas vezes já fizemos amor sem dizer"Amo-te" quando no fundo é o que se sente? Porque o gesto de fazer amor, a junção física é o enlace na sua descrição mais nua e límpida...não há necessidade de haver palavras ...mostra-se!Através do toque dos corpos mostra-se o amor, o desejo e até mesmo a raiva e a desilusão. Todas estas emoçoes juntas e reflectidas nesta situação são deliciosamente explosivas...ditas são incrivelmente conflituosas.Uma mulher inerte, só, com o seu cigarro pode dizer imensas coisas apenas com o gesto e olhar perdido...através da forma como expele o fumo. Podemos fugir das palavras mas fugir dos gestos é preciso astúcia...as palavras levam-nos a todos os caminhos mas sem o gesto que complementa o que a boca expele o único caminho é o vazio. É através dos gestos que ultrapassamos todas as provações. Qual será a maior provação?Dizer a um amor " não te amo mais" ou virar as costas ao mesmo? Na minha opinião o virar de costas reforçado pela resignação tem mais poder...dizer não te amo mais é fácil...demasiado fácil. As palavras transformam-se em vestígios e o toque das acções fica-nos cravadas na pele. Quantas vezes não levamos as pontas dos dedos aos lábios enquanto fechamos os olhos e pensamos no acto mudo do beijo? A excitação interior, o espírito em revolta deste gesto não terá mais força do que a lembrança do tempo em que pedimos "beija-me"? Experimentem fazê-lo...perceberão que este gesto exige coragem , imaginação...quanta ousadia e humildade é precisa para conseguirmos rasgar de dentro de nós a memória deste toque e de tudo que nos permite sentir...não há consolo ou alívio quanto ao que nos provoca a ilusão dos sentidos dos gestos. Os actos importantes não são ruidosos, gritados ou falados! Quando fechamos os olhos todos os nossos pensamentos eclodem num motim...de que nos lembramos de nós ? De palavras? Claramente que não! Uma mulher que soluça no escuro é uma mulher que pede amor...sem palavras...pede um gesto...que aqueles soluços sejam silenciados por um abraço...Permito-me portanto e com toda a clareza possível mudar as palavras de lugar quanto à primeira frase exposta, num gesto simples que descoordena as palavras ..." os gestos tiram todo o significado das palavras...é incrível como conseguiste viver apenas de palavras quando tudo o que vejo reside apenas nos teus gestos ...."Poderia dizer aqui que sinto a falta de alguém.... O meu gesto já o demonstrou claramente,prefiro tocá-lo de forma profunda e calada sem uma única palavra. O resto que poderia ser dito não importa...eu sei porque o vejo e sinto. Mas por enquanto as palavras é o que me pode dar, que me vão confortando...na espera do seu gesto....do seu toque calado. Por enquanto vou dizendo " amo-te" à espera que tu me cales e me deixes apenas amar-te ...como deve ser...com a alma e com o corpo...