Saí com a sensação de que tudo está tão fodido à minha volta...sem dúvida o pior ano da minha vida...tinha de sair de casa, respirar, ver gente....mas a rua tinha gente a mais.Dentro de mim raiva de mim mesma...raiva eu nem sabia bem do quê. Sentei-me e tomei café enquanto pensava que o homem que me ama é um fantasma, existe mas não o vejo...o homem que amo é impossível...mas até chegar ali onde estava, cada homem que buzinava, cada homem que me olhava na rua despertava-me mais raiva ainda. Ainda no café pensava na fase que atravesso...todos os dias tenho que ter uma força e uma fé diferente numa altura em que perdi a fé em tudo e toda a gente espera que seja a miss perfeita do costume. Foda-se estou farta de o ser! A minha garganta estava tão justa que nem consegui engolir o café....olhei em frente e vi entrar o homem mais bonito que alguma vez tinha visto. Baixei o olhar afinal era apenas um gajo...até que oiço uma voz por trás de mim “ o que é que uma mulher com esse perfume, com esse cabelo lindo faz a esta hora aqui sozinha e tão triste?”...olhei por cima do ombro e não pestanejei ...se o fizesse caíria ali uma lágrima em frente a um estranho. Ele olhou para mim e disse “chamo-me Vasco, os seus olhos estão tão tristes, consigo sentir toda a sua tristeza, falar ajuda” ...tornei a olhar em frente, limpei com a mão a lágrima que caíu e deixei em cima da mesa o dinheiro do café. Ao sair olhei para trás, ele tinha ficado a olhar para mim ...era realmente lindo de morrer, talvez devesse voltar para trás, envolver-me sem sentir. nada..libertar toda a raiva da vida que sentia naquele momento com um homem que iria querer livrar-me no minuto a seguir ...seria tão fácil....pensei “não tens sequer comparação com o homem que amo” ... não tinha o olhar terno, os lábios doces...o abraço onde me sentia pequenina e protegida...não tinha o som do sorriso que adoro, como eu gosto de ouvir e sentir que aquele homem ri e sorri...não tinha nada do homem que eu amo...nem eu o tinha...nunca teria...
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