sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Fim de semana...tive uma semana difícil..a idéia de fim de semana parece-me bem. Gosto do fim do dia de 6ª feira...o caminho de volta a casa é o meu momento de paz. Não penso em absolutamente nada apenas me deixo ir e descanso a mente. Descanso a mente duma pessoa ardilosa e astuta, potencialmente má com que lido todos os dias. Porque me deixo afectar? Porque lutei, fui incompreendida, julgada, mas tinha a esperança que um dia ia ficar com a sensação de dever cumprido, de protecção...quem gosta cuida, o meu pai sempre o disse.Tentei cuidar dele e a pessoa que um dia sei que o vai prejudicar mas esqueci-me de cuidar de mim...quase tão bem como ele também se esqueceu de mim e defendia apenas a ela.Só eu sabia o que ela fazia...e esse conhecimento levou-me apenas num caminho penoso e de discussões azedas. Por vezes ele discutia comigo duma forma tão cruel que decidi deixá-lo antes que fosse tarde demais e me danifica-se mais por dentro.
Esta semana tentei novamente, mais uma vez explicar-lhe mesmo sabendo que não me ia levar a lado nenhum...de facto não levou...hoje tudo voltou ao mesmo. Ela tem um certo poder sobre ele que tanto ela se gaba e que não consigo entender...e a minha perspectiva era tudo menos animadora. Mostrar-lhe a pessoa que ela é foi um caminho ingrato, duro e sinto que para nada. Trata-me como se tivesse perdido a lucidez e a razão quando no fundo sou a única lúcida. Não vê que ela é um demónio simpático que tenta destruir a imagem dele perante os meus olhos...dói ver como ele a ajuda nisso sem perceber. Faz me perder a vontade de erguer a voz seja para o que for. Sinto que é cruel ...que será sempre assim...que lhe dará sempre o que ela entender nem que seja apenas uma palavra, ele não consegue não fazê-lo... e eu? Eu...sinto como se lhe tivesse que pedir para me deixar que lhe conte ...que lhe conte os beijos e as mãos que vai ficar por dar...e o amor que com isto tudo ficou por sentir...pedir para me deixar que lhe conte isto tudo porque é quase como se ele não soubesse contar porque já o esqueceu. Pedir para me deixar que lhe conte as vezes que o esperei, os momentos em que o quis, a quantidade de minutos que pensei nele porque ainda me lembro de o amar e ainda me lembro de tudo para contar. Sinto que ele se esqueceu e talvez não o saiba contar tão bem como eu. As palavras daquele demónio sempre foram tão melhores do que as minhas para ele, convidei-o para viver dentro de mim...sempre que ela me tenta mostrar que ele a quer apetece-me gritar alto mas tão alto para que ele oiça “ sai...vai embora de dentro de mim”. Talvez ele me oiça agora que me sinto mais muda do que alguma vez na vida e onde o sabor dele se foi perdendo nas palavras que ele lhe dedica. Ela usa isso como se fosse um cacto...todos os dias me espeta um espinho. E eu? Eu...nada faço, finjo...finjo indiferença a tanta crueldade...apetece-me dizer-lhe para ele olhar bem para mim ...sem medo...para que não lhe restem dúvidas que é cruel...preferia que me cortasse aos bocados e me atirasse para bem longe de forma a desaparecer pedaço por pedaço da vida dele em vez de me destruir todos os dias um bocadinho em cada situação que enfrento muda...em silencio...em que finjo que nada me dói...e arranco as costuras do meu coração...
É como se acabasse por viver de sobras e acabasse por morrer à fome da sua compreensão... Tentei mostrar-lhe o amor mas não o viu. Não sei a quem atribuir a sua cegueira, se ao seu coração ou a ele. De qualquer forma, ainda que essa incógnita tivesse, em algum momento, sido importante para mim, agora tanto me faz. Estou demasiado cansada para decifrar perguntas sem respostas. Estou exausta de tanto perguntar “ Porquê que a defendes? Porquê que lhe dás razões para ela pensar que não resistes?”
Por vezes sinto-me como que a correr numa maratona, onde a meta nunca aparece e onde há sempre um obstáculo para contornar no caminho e me faz ficar cada vez mais com vontade de me sentar e parar.
Está a deixar-me sentar e parar...por ela...

2 comentários:

Anónimo disse...

Usas frases aqui que são brilhantes.
Tens um dom de ao ler parece que te estamos a ouvri a falar.Tão bem escrito, tão claro.
Pode ser que se ler finalmente não morras á fome da sua compreensão. Gostava muito que ele te conhecesse como nós te conhecemos. Gostava muito que ele te conhecesse no teu dia a dia, com os teus, a forma como encaras a vida, o amor, como o encaras.ela? nada é mais do que uma semente que nunca dará a flor que tu dás a quem passa na tua vida.
és brilhante.

Ricardo.

Ricardo A.

ANA disse...

É como se acabasse por viver de sobras e acabasse por morrer à fome da sua compreensão...

Pedir para me deixar que lhe conte as vezes que o esperei, os momentos em que o quis, a quantidade de minutos que pensei nele porque ainda me lembro de o amar e ainda me lembro de tudo para contar. Sinto que ele se esqueceu e talvez não o saiba contar tão bem como eu.

Nao consigo destacar as melhores partes, saõ tantas e tão imensas que vou destacando algumas.
Este blog é o orgulho das mulheres.


ANA
S. Pedro de Muel