terça-feira, 12 de outubro de 2010

Hoje cheguei a casa a arder em febre...febre interior, exterior, uma febre que não passa. Tomar um banho gelado para arrefecer o corpo e o coração... pareceu-me bem...sentei-me e encostei a testa aos joelhos só a sentir o chuveiro frio.Tenho respondido à vida conforme posso...conforme o meu coração tem permitido...sinto-me num limbo...ou como num circo em cima duma corda...onde tento me equilibrar e baloiço...baloiço...por vezes caio e a rede...não está lá. Todos os dias respiro fundo ao acordar e digo “ bora lá miúda, mais um dia e este também não te vai vencer” mas vence-me...hoje cheguei e deixei-me cair na cama enquanto pensava “este dia já está amanhã será outro”...sinto-me como um flor frágil ao vento, sinto vergonha em me mostrar tão delicada, frágil porque não esperam isso de mim...sinto vergonha do meu cansaço. Encolhi-me e deixei-me estar..hoje não faço mais nada a não ser estar como estou...como se o meu destino fosse simples...ou seja nenhum...se fujo dos outros não é para estar em paz...mas para poder ser frágil em paz...cada vez é mais difícil levantar-me de manhã...até estas simples coisas que escrevo surgem com dificuldade.Como se não tivesse direito a recomeços mas apenas direito aos fins..As minhas forças esgotam-se visivelmente mas tento...vou aninhar-me e falar com Deus ou seja lá quem for que exista mais lá acima...nem sei para quê ...não me vê há algum tempo...ao menos mostrou-me o amor..mostrou-me ele...numa frescura de vida ...doce ...num olhar azul...quem me dera aninhar-me nele...apenas...em silencio...

1 comentário:

ANA disse...

M de mulher!
naõ sei o seu nome apenas sei que me comovo, rio, vivo o que escreve.
li-o desde o primeiro texto que escreveu nunca pare de escrever.

ANA
S.Pedro de Muel