Tenho andado reservada na escrita é um facto...este texto tem andado nos "meus documentos" do pc já há uns dias.Não existem alturas certas ou momentos chave para uma mudança de vida.Simplesmente acontece...dentro de nós acima de tudo, embora motivadas por factores exteriores as grandes mudanças surgem no "eu contra eu".Lembrei-me duma pergunta dum amigo exactamente há um ano atrás "M. como te vês daqui a um ano?ou como é que te queres ver daqui a um ano?"...não soube responder.Talvez outra pessoa soubesse responder a esta pergunta mas empíricamente acho....Responderia com frases inspiradas em desejos, mas eu não...queria ver-me, ver-me ...apenas isso...renascida.Sinto-me desintegrada de mim mesma e tudo tinha deixou de fazer sentido embora lute diariamente por renascer no "meu mundo novo". Esforço-me como doida em cumprir o meu dever, o que tem de ser feito, luto contra as exigências do destino tentando focar-me e ser objectiva.Foi difícil adaptar-me a essa região de mim mesma tão isolada em que só podia contar com as minhas forças. Apesar de ser uma mulher de muita sorte, com grandes amigos tenho espaços pesados em que me sinto a mulher mais sozinha deste mundo. Sinto-me por vezes uma ingrata para com a amizade pois o esforço da "minha gente" em não me ver deprimida era em vão. Não vivem o que vivo hoje.Quando chego a casa à noite, poiso as mãos na mesa e olhava no espelho em frente não conseguindo evitar a dor, o desnorteio de não saber o que fazer ou pensar. Nestas experiências comigo mesma pareço dotada do poder de recordar apenas o que decido recordar, isso é quase insuportável. A redenção e resignação levou-me a ultrapassar os últimos tempos da minha vida de forma dormente, como que a aprender a andar mas com medos e momentos na memória que ninguém pode alguma vez tirar. Ainda assim tento sempre cerrar os dentes e pensar "as coisas são como são!".Logo depois abraço os meus joelhos e poiso a testa neles para não olhar a minha vida de frente enquanto ainda a tenho. Não fiquei amarga, muito pelo contrário dentro de mim a compreensão pelos outros aumentou, afinal tive que ser a pessoa mais compreensiva deste mundo comigo mesma.Não sei se fiz a melhor escolha, se a fiz por mim ou pelos outros...o tempo dirá...Uma vez disseram-me que a partir do momento em que encontrar um anjo num homem todos os que passarem na minha vida não assumem importãncia pois procurarei sempre as asas nas suas costas...mas mesmo um anjo assim pode ser demoníaco nas mais terríveis formas.
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