Às vezes as palavras não consomem o tanto que sinto, de modo a poderem dizer, na verdade, o que realmente quero. Por isso hoje não te direi nada. Vou ficar calada à espera que me fales tu. Talvez tu, hoje, tenhas as palavras certas e saibas o que me dizer. Talvez tu saibas em que lugar se escondeu a nossa proximidade, que agora deu lugar a esta distância abismal, fazendo-me sentir como um estranha para ti, sentir-te como um estranho. As minhas palavras hoje não sentem mais nada... apenas a tristeza do nosso voltar de costas... inundada pelas tuas mentiras, por teres corrido atrás de alguém e teres-me deixado pelo caminho...
Olha bem para mim e diz-me o que vês. Não tenhas medo de dizer que me derrubaste de vez.Vês alguém que já não sabe o que diz, o que pensa, o que sente, o que escreve e para o que serve.Vês-me a mim assim acabada, como um livro depois de lido, rasgado e calcado no chão. Diz se me reconheces ao longe e ao perto, estou certa que não pois eu não te reconheço mais.Olha-me bem para que não restem duvidas de que és cruel... a tua crueldade sinto-a na pele.Corta-me aos bocados e atira-me para longe da tua vida. Fizeste pior do que isso...
Vai-te embora daqui, de dentro de mim...
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2 comentários:
Tanto odio misturado com tanto amor.
Até com dor nas palavras escreve duma forma que nem tenho uma palavra para classificar.
Nunca vi ou li ninguém escrever assim sobre alguém. Não a conheço mas a forma como descreve o que lhe Vai na cabeça é sublime, única.
Ana
S.Pedro de Muel
Sem dúvida que o amor consome de uma forma por vezes indescritível, mas como tudo na vida passa... até a própria vida. Escreves com o sentimento de quem sofre, mas quem te conhece... sabe que mesmo sofrendo continuas a ser tu mesma. E podes não te recordar de quem és, mas tens sempre quem te lembre! Os teus amigos. :)
Beijinhos,
B.
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