quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Hoje sentei-me a pensar no destino... com a cabeça oca de tanto pensar...o sacríficio é a simbolo de troca, de partilha que mais dói. Algures nesse caminho dizemos adeus enquanto somos fortes...enquanto ainda somos capazes. Pode ser um acto de amor semelhante a um acto de tortura. Enfraquecida mas ainda com um resto de nobreza ou de estupidez disfarçada de nobreza.Sem dúvida sou o meu carrasco e a minha vítima. Não pode haver honestidade sem cobardia e isso torna o meu sono numa coisa sinistra esta noite em que o tempo e o espaço se tornam demasiado profundos e fogem debaixo de mim...A beleza do mundo revelada pelo amor e logo condenada a desaparecer numa angústia que me desfaz o coração. Não sei se ainda o tenho.. a cobardia da minha inocencia e a dignidade da minha mentira para o mundo...serei eu forte assim?Afastar-me em silêncio faz-me vomitar durante muito tempo...não explico a ninguém porque vomito..é como se expelisse todas a imagens do homem que amo, da toxicidade da distãncia, do silêncio...expelir as imagens do passado e nervosamente expelir as já do futuro num suor frio que me faz sentir doente. Procuro não pensar e dormir mas de facto não consigo. Vigio o que estou a sentir...examino os meus próprios sentimentos um por um...a minha posição é clara, honesta e explícita...nenhuma posição em lado nenhum...portanto. Não cabo em lado nenhum em parte nenhuma. Esquecer imagens quando num futuro próximo terei a imagem presente todos os dias...algo que torna a vida quase impossível pelo menos a um dos dois...a mim...que seja...tem de ser...A pessoa que vive neste segundo andar não existe mais...um fantasma que gera outro fantasma de si próprio....
Talvez lhe diga que pertence a outro, talvez lhe diga que sim a isto com toda a minha força enquanto o sim nada mais é do que um não oculto. Ou talvez apenas diga a verdade e perca o meu coração pelo caminho....que neste momento doi-me como se fosse do tamanho do meu diafragma... jã não te posso mandar embora...daqui de dentro de mim...
Esta mulher que vive neste segundo andar...já não existe ....mais...

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