Passa-me o mundo por entre os dedos… Olho as minhas mãos, a forma como se deixam descansar meio abertas, meio fechadas… Deslizo por cima das montanhas de papel que forram os meus dias, deixando que os meus braços cruzem, que a minha cabeça aterre no seu suporte. Fico com o nariz escondido entre os vincos da camisola, respirando o cheiro a papel e tinta. E olho pela janela… Vejo o sol nascente que me saúda como se sempre nos tivéssemos conhecido. E sem querer, solta-se o nó que atei no coração… Subitamente, sem aviso, sem controlo… E penso em ti…
Memórias desse sorriso… Da maneira como libertas um discreto suspiro, da forma nervosa como bates com os dedos na mesa, repetidamente, subtilmente… Recordo-me de te olhar nos olhos… De me sentir perder nesse olhar, de querer que o tempo parasse, de não tentar parar-te sequer. Lembro-me de sentir as minhas forças a desaparecer só por te ouvir respirar perto de mim… Só por te sentir do meu lado…lembro-me de tremer só de sentir o teu perfume no ar.
E as lágrimas tentam invadir-me os olhos, confesso… Sinto-me como um rio que já não se consegue conter nas suas margens. Como se te tivesse inconscientemente entregue o pilar fundamental do meu equilíbrio. Porque foi o que fiz…tornaste-te no meu equilibrio...
Por mais que lute, por mais que tente, não posso evitá-lo… Este relógio, este mecanismo eterno que mantinha desactivado ganhou vida própria. E como? E porquê… Não tenho resposta, não tenho certezas…
Receio o que sinto, por vezes tenho coragem de o interromper… Mas cada inspiração, cada lufada de ar que absorvo, cada vez mais tudo se resume a ti.
O meu coração de titânio deixou-se quebrar, deixou-se penetrar… Ah, como te odiei por isso… Por me fazer sentir algo que não devia, por não saber onde acabam as tuas mentiras nas minhas verdades, por saber dela...como te odiei por isso... Mas ainda assim, é o que sinto… Tenho um fio do teu cabelo entrelaçado nos meus dias, na minha vida. Preferiria poder olhar-te com certa indiferença, como antes, como era suposto ser… Mas não consigo…não quero...não posso...
Sabias que muitas vezes quando me ligas, sento-me encostando a cabeça para trás e fecho os olhos apenas para sentir o prazer que é ouvir-te?Neste momento, neste mesmo momento, sou tua. De ninguém mais, agora ou alguma vez…
Não sei se estás bem, se dormes ou pensas em mim, nem mesmo se choras o tanto que eu choro por não te ter perto.
Não sei se me sentes cada vez que penso em ti, com aquela força capaz de me fazer acreditar que estou ao teu lado...
Não sei se acordas bem ou se apenas desejas continuar a dormir. Se os teus sonhos têm cor ou apenas dor.
Não sei porque é que a vida permite o afastamento de duas pessoas, quando elas já se esqueceram de como é viver uma sem a outra.
Esta noite queria que me comesses o desgosto de querer e não ter a quem me dar agora que me tens e me dou ...ao teu paladar...
Memórias desse sorriso… Da maneira como libertas um discreto suspiro, da forma nervosa como bates com os dedos na mesa, repetidamente, subtilmente… Recordo-me de te olhar nos olhos… De me sentir perder nesse olhar, de querer que o tempo parasse, de não tentar parar-te sequer. Lembro-me de sentir as minhas forças a desaparecer só por te ouvir respirar perto de mim… Só por te sentir do meu lado…lembro-me de tremer só de sentir o teu perfume no ar.
E as lágrimas tentam invadir-me os olhos, confesso… Sinto-me como um rio que já não se consegue conter nas suas margens. Como se te tivesse inconscientemente entregue o pilar fundamental do meu equilíbrio. Porque foi o que fiz…tornaste-te no meu equilibrio...
Por mais que lute, por mais que tente, não posso evitá-lo… Este relógio, este mecanismo eterno que mantinha desactivado ganhou vida própria. E como? E porquê… Não tenho resposta, não tenho certezas…
Receio o que sinto, por vezes tenho coragem de o interromper… Mas cada inspiração, cada lufada de ar que absorvo, cada vez mais tudo se resume a ti.
O meu coração de titânio deixou-se quebrar, deixou-se penetrar… Ah, como te odiei por isso… Por me fazer sentir algo que não devia, por não saber onde acabam as tuas mentiras nas minhas verdades, por saber dela...como te odiei por isso... Mas ainda assim, é o que sinto… Tenho um fio do teu cabelo entrelaçado nos meus dias, na minha vida. Preferiria poder olhar-te com certa indiferença, como antes, como era suposto ser… Mas não consigo…não quero...não posso...
Sabias que muitas vezes quando me ligas, sento-me encostando a cabeça para trás e fecho os olhos apenas para sentir o prazer que é ouvir-te?Neste momento, neste mesmo momento, sou tua. De ninguém mais, agora ou alguma vez…
Não sei se estás bem, se dormes ou pensas em mim, nem mesmo se choras o tanto que eu choro por não te ter perto.
Não sei se me sentes cada vez que penso em ti, com aquela força capaz de me fazer acreditar que estou ao teu lado...
Não sei se acordas bem ou se apenas desejas continuar a dormir. Se os teus sonhos têm cor ou apenas dor.
Não sei porque é que a vida permite o afastamento de duas pessoas, quando elas já se esqueceram de como é viver uma sem a outra.
Esta noite queria que me comesses o desgosto de querer e não ter a quem me dar agora que me tens e me dou ...ao teu paladar...
2 comentários:
Todos os dias venho a este blog ver se já escreveu alguma coisa.É um blog de culto aqui onde trabalho, ficamos muito tristes quando deixamos de ler o que escrevia.
Este texto que é um desabafo é dos mais bonitos que já li.Adorei a parte final "Esta noite queria que me comesses o desgosto de querer e não ter a quem me dar agora que me tens e me dou ...ao teu paladar..." lindo!lindo!lindo!
Ana
S.pedro de Muel
Demasiado belo para comentar...
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