Este blog vai estar parado...não irei escrever mais uma palavra que seja...será o túmulo onde hoje me apetece soltar frases presas,tão presas que custam a escrever. Há coisas que se tornam impossíveis de continuar...assim com uma vida...
É impossível assentar uma vida numa cadeira que tem apenas uma ou duas pernas.
Pensei que conseguia chegar ao mais fundo de ti e o máximo que consegui foi querer esconder-me bem cá no fundo de mim. Eu sei que o "nós" nunca acontecerá. Não porque eu não goste de ti, porque sabes que gosto. Não porque tu não gostes de mim, porque talvez gostes. Mas talvez pelo teu medo de seres de alguém... Pelo teu desejo de seres de toda a gente... E sendo assim tu não és de ninguém. Custa ver o medo estampado, como dois quadros abstractos no lugar dos teus olhos, quando na verdade eu queria que olhasses para mim de maneira diferente... Apenas como alguém que gosta de ti...
Houve tempos ...Tempos em que sorria sem motivo especial, porque afinal o motivo eras tu... Onde te via aparecer do nada, onde te te via desaparecer com tudo.Sim, houve tempos...
Agora as nossas mãos mal se encontram. Eu mal te vejo. Tu mal me olhas. O ar hoje é mais pesado,não quero respirar.Dá-me antes o teu ar e enche de ti os meus pulmões. Hoje não me apetece dizer que me vi chorar...Não direi... Vou deixar-me sofrer o bastante até que me peça a força dos meus próprios braços para chegar até mim...porque não posso contar senão com o abraço dos meus próprios braços. São altas horas da noite,todos dormem excepto eu que penso em ti no que carrego dentro de mim que é teu.O dia nasce, tudo acorda,menos eu que não dormi. A minha dor não será para sempre, tem dia marcado. Também ela me abandonará juntamente com as tuas lembranças, deixando-me em paz comigo própria, vazia de ti...sem ter nada de ti dentro de mim.E com esse vazio partirei também..eu sei...eu sinto... Limpo os destroços de uma vida, vida essa que um dia te acompanhou sem olhar para trás, sem medos, sem insegurança, com protecção e cuidados, como quem cuida duma planta bonita que não quer deixar morrer. Mas nada é para sempre...o teu beijo não foi para sempre...o teu abraço não foi para sempre...hoje esta mulher sabe que também ela não será para sempre...despedirei-me de ti fechando o olhar devagar...muito lentamente e com um sorriso lento não rasgado apenas lento e terno prometendo-te que nos encontraremos noutra vida...não perguntarei mais porque foges se não me levas contigo...fugirei eu com uma parte de ti...e não mais nos veremos...nunca mais...porque sei...porque o sinto...mais uma vez já não posso dizer vai –te embora daqui de dentro de mim...apenas direi que nós os dois iremos embora de dentro de ti...de fora de ti...porque o sei e sinto... Nunca me ouviste...Ouve e lembra-te de tudo que te tenho dito, de tudo a que te poupei, avisei e protegi...Ouve-me agora que é tarde...que a minha vida não tarda acaba...eu sei...eu sinto...sem direito a genérico ou banda sonora adequada...apenas me vou...nos vamos...
Sem comentários:
Enviar um comentário