terça-feira, 8 de março de 2011

Porque hoje é dia 08...eu queria..

Quero despir-te.
A roupa impede-me de ver a tua pele.
Deita-te. Assim. Nu.
Deixa-me olhar-te. Decorar-te.
Quero guardar-te nos olhos, para te lembrar quando não estiveres presente.
Gosto de brincar com o teu corpo.
Subir em ti,sentir os mamilos percorrer-te assim, em carícias lentas.
Gosto da tua pele molhada.
De te cobrir de saliva e suor.
Espera.
Deixa que me demore no teu sexo.
Que o olhe. Que o desperte.Enquanto me olhas.
Enquanto murmuras qualquer coisa que não oiço...
Deixa-me suspirar. Derramar. Deleitar-me com o teu corpo.
Descobrir a que sabe o teu peito.
Gosto das tuas mãos.
De lamber e morder um a um os teus dedos.
Enquanto te amo. Enquanto me amas.
E dizer-te baixinho.
Explode-te comigo meu amor.
Brincar contigo...hoje...Posso?eu sei que nao...
Neste texto, a música Slept so long dos Korn era perfeita...não só no texto ...como fundo...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Estes dias de aguaceiros que regressaram, depois de eu ansiar o calor e o sol, deixam-me enervada. Cinzenta e irritada. Confesso que nunca convivi muito bem com a chuva, com os dias escuros, com os chuviscos. Já em criança, encostava-me à janela a ver chover, tentando agarrar os pingos de água, fazendo desenhos nos vidros, acompanhada de uma certa melancolia. Num desses dias, em que também, tal como hoje, estava irritada, reparei que tinha os cordões desatados e isso irritou-me porque não sabia fazer o nó nem o laço. Habituara-me a que a minha mãe o fizesse por mim, por isso sabia de cor as voltas que aquilo dava. E logo nessa altura, ela tinha saído para ir à mercearia comprar qualquer coisa. Lembro-me de me sentar no chão e de tão irritada estar, quase como um autómato dei aquelas voltas milagrosas que resultaram no tão ansiado laço. Sorri perante o laço meio atrapalhado, mas como se se tratasse de uma grande vitória. Se não chovesse e eu não estivesse irritada, não o teria feito.Hoje lembrei-me desse dia. Apesar deste tempo instável me envolver numa certa melancolia, me deixar sem inspiração para escrever, sem vontade de me mexer, e com uma enorme sonolência, tento dar a volta por cima, tal como o fiz com os atacadores.No entanto agrada-me o cheiro a terra molhada que me envolve logo pela manhã quando abro a janela e meto o nariz de fora para decidir o que vou vestir. Cheira a campo, cheira a relava verde mas irrito-me logo a seguir porque na noite anterior não me apeteceu apanhar a roupa e a encontro toda molhada. Depois é a chuva miúdinha que me ouriça o cabelo, é o chapéu de chuva que me atrapalha, é a humidade do ar que detesto...mas depois solto uma gargalhada porque as minhas maiores vitorias surgem em momentos de irritação...tal como a vitoria dos cordoes.Só fico desmoralizada e agarrada à cama, e irrito-me com o raio do despertador que não pára de tocar...mas acordei com a musica Cheap Honesty na tola da Skunk Ansie e depois da irritação lá me levantei a cantar e a pular...mais uma vitoria adiada ...como a dos cordões.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Lembro-me do meu primeiro beijo. Lembro-me da inocência desses dias, na escola onde aprendi a ler, do ambiente terno e calmo onde passei os quatro primeiros anos da minha aprendizagem escolar.Chamava-se Aquiles, era um menino louro, e passávamos muitas horas a conversar, brincávamos ao amanhã e aos adultos, quando tudo era colorido. No recreio, dávamos as mãos, e diziamos que éramos namorados, que um dia ainda iriamos casar. Que tontice embrulhada na magia de ser criança.O primeiro beijo foi envolvido em muita vergonha, num daqueles jogos do “bate-pé” a que jogávamos 4ª classe, presenciado pelos outros meninos, selando o que julgávamos inocentemente ser um compromisso para sempre. Só não sabíamos que nada dura para sempre.Frequentava uma escola privada, a classe era composta por dez alunos, e leccionados por uma professora maravilhosa, que se chamava Carmina, mas a quem carinhosamente chamávamos Cami. Nessa altura não havia muitos professores assim, ela era para nós uma segunda mãe, tratava-nos com ternura e compreensão. Nunca soube a dor de uma réguada ou de um castigo.A escola tinha um ginásio grande, e um palco enorme e lá costumávamos brincar aos castelos encantados. Por baixo do palco, tudo era escuro e fingiamos ser fantasmas, desciamos as escadas sempre com um medo inconfessável de que surgisse algum monstro ou papão. Mas mesmo assim iamos. Sentia-me protegida pela mão do Aquiles que combateria todos os fantasmas do escuro por mim. Mais uma tontice embrulhada na magia de ser criança.O Aquiles certo dia, não me lembro em que contexto da aula, dedicou-me uma canção e com o seu geitinho infantil, corado até às orelhas, fez-me sentir uma princesa. Eu, baixei a cabeça, envergonhada e surpreendida.Separámo-nos na quarta classe, entre beijos, abraços e lágrimas.Mas nunca o esqueci. Nem a ele, nem à inocência desse primeiro beijo. Nem aos anos felizes que vivi na minha infância, naquela escola, quando o amanhã estava tão longe que nem pensava nele.