Ironia da vida…escrevo o que me vai na alma, no teu teclado enquanto aguardo que o disco desfragmente. A vida deveria ser como um disco rigido…deviamos poder desfragmentá-la…juntar os dias de forma a que fiquem organizados…com sentido…Há alturas em que me sinto pequena, como que enrolada e escondida a um canto. Com medo. Assustada. Angustiada. À espera de dias melhores. Na dúvida. Na incerteza.Há alturas em que nada faz sentido. Em que me sinto perdida. Revoltada. Amargurada. Magoada. Ignorada. Incompreendida. À espera de dias melhores. Na angústia. Na tristeza.Há alturas em que não me sinto.Hoje já não sonho como dantes.Tenho uma bolha de ar a encher-me o corpo e a levar-me todos os dias para algum lugar, sem que eu me importe, sem que eu recuse.Tenho a cabeça em água. Água de rio, que corre e me leva os pensamentos sem que eu os possa ou queira apanhar. Ja não sei lutar contra a sua corrente.Tenho o peito, outrora cheio, inchado. É pesado o que lá guardo, nada consigo fazer para o apertar até sair de lá de dentro tudo o que me faz mal.Tenho um nó na garganta, um peso nos olhos e um corpo carente. Agora que o dia que se segue é o dia do tudo ou nada, aquele em que fico entre a parede e a espada, não sei bem o que dizer. É muito o que guardo cá dentro. É tanto que a ideia de dizer o que me vai cá dentro dá-me um aperto tão grande no peito... DIzer-te que és a pessoa mais importante para mim, pareceria cliché, mas é de todo a verdade que nunca te disse... Não sei porque não o disse, talvez porque o deverias saber. E agora ao pensar que amanhã poderei não dizê-lo sinto-me sem chão. Sinto um buraco no lugar do coração. Agradecer-te por tudo o que fizeste por mim é pouco, quando eu sei que já te acusei de não teres feito nada. Mas a verdade é que fizeste muito. Devo-te unicamente a ti o orgulho de ser quem sou hoje...a mulher que me tornei…mesmo conhecendo a máxima maldade do mundo, dos outros, por vezes a tua, não mudei…evoluí…como mulher, como pessoa, sofrida mas não amarga. Perdi-me, não me lembro bem quando nem porquê. Pelo caminho perderam-se lembranças e sentimentos. Enterraram-se dores, secaram-se lágrimas, curaram-se feridas, escreveram-se palavras, partiram-se e desfizeram-se momentos.Perdi-me, não sei se por tua causa ou por minha. Pelo meio perderam-se músicas, rasgaram-se poemas, rebentaram-se laços, negaram-se beijos, rejeitaram-se abraços.Perdi-me e não me encontro. Passei a vida a correr sem ver ao certo quem corria à minha volta ou quem simplesmente corria ao meu lado. Agora que paro e fecho os olhos, deixando de lado os pés cansados que me guiavam nas voltas, admito que correr de olhos fechados nem sempre nos faz chegar a alguma meta.Agora que paro a meio, sem saber como cá cheguei e, sem saber o caminho certo para correr, continuo sem saber quem corre comigo, quem corre para mim e quem corre por mim.Continuo sem olhar, sem ver. Porque afinal juntamente com os pés também se me cansaram os olhos, também se me cansou tudo o que a cabeça segura e tudo que o peito guarda. Cansou-se-me a alma, a calma e o raio que parta a vida. Corria porque só correm os perdidos mas agora sento-me…porque só se sentam quem querem ser achados…mas talvez tu passes sem notar que ali estou sentada à espera de ser achada por ti…Hoje sou uma sonhadora.Descrente.Aluada.Ausente.Por vezes fraca. Forte o suficiente.A cair, a tropeçar, a caminhar.A sequir em frente.A não seguir por lado nenhum.Por mim.Por ti. Sem mim. Sem ti.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
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